segunda-feira, 5 de maio de 2014

"CELA DE MIM"

  " CELA DE MIM"

Gosto de fechar os olhos.
Sentir o amor e o calor.
Calor daqueles que partiram.
De mim, para sempre.
Sentir as mãos frias.
Frias sobre o ferro quente.
Quente como o meu corpo.
Que não me reconhece.
Perdeu-se no espelho.
Espelho da vaidade.
Das grades de ferro da cela.
Onde dorme a minha alma.
Ferros meus, corpo teu
Mãos que já foram minhas, tuas.
Não partas fica na noite que desbrava-se.
Cama, silêncio.
Margens do tempo.
Livros das cores que nos cegam.
Espelhos do quarto.
Que nos ferem.
Em estilhaços de luz.
Poeiras soltas.
Rasgar dos panos.
Das janelas abertas.
Murmuram o teu nome, o meu.
Lambuzam os dedos no pote de mel.
Gritam, gemem, na primeira lua.
Saltam o muro fingindo.
Fugindo e perguntam.
Perguntam onde estão os que partiram.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca