quarta-feira, 10 de setembro de 2014

LIVRO FECHADO

LIVRO FECHADO

Escrevo um livro fechado
Com as páginas intactas
A minha alma é um cadáver
Que foi pedir sonhos aos mortos
Sem medos sem culpas
Quer se faça dia, ou noite de trevas
Presságios fúnebres de noturnas preces
Leva adiante de pávidos rostos abaixo do mar
A sombra de uma só covardia de sossego
Desfeita em desassossego
Pedras geladas, fragas raras, mármore precioso
Oh morte leva contigo o perfume das flores
Dos cravos, das rosas
Estás aqui comigo, oh morte na sombra deste sol quente
Escrevo que a minha alma é um cadáver
Para pedir um sonho aos mortos
Afinal os vivos não me ouvem ou fingem não ouvir
Que ninguém rasgue os livros escritos nas folhas do sonho
Feita de poemas cheios de amor e dor.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca